
Nem se entrou mal no jogo, com confiança a encarar a
posse de bola. Durante esse domínio inicial, Jorge Ribeiro
(quem mais?) a desequilibrar de livre directo. Sem
reacção imediata, o Setúbal chega ao empate na
primeira vez que entra na área de bola controlada, muito por
culpa da defesa, lenta a afastar. O meio campo axadrezado cedo
perdeu fulgor, quer em manter a posse de bola, quer a recupera-la,
quer a cobrir os espaços. Loureiro e Fleurival não se
entendiam com os três mais juntos médios
adversários, aos que se acrescentam o avançado centro
Leandro e o Pitbull em estilo vagabundo. Foi o suficiente para
quebrar ligação entre defesa e linha média,
para perder qualquer possível controlo sobre o jogo. As
intenções ofensivas de maior realce eram levadas a
cabo principalmente por Kalanga, pelo voluntarismo de Mateus, pela
tentativa de aparecer no espaço de Hussain. Foi num minuto
em que o catari tem a sua melhor chance para rematar certeiro, que
Pittbull o fez dando vantagem ao Setúbal. Apesar da falha de
marcação, o momento de Pittbull é
fantástico.
Na segunda parte, foi o Setúbal que entrou melhor, mais
concentrado e mais objectivo, fruto também do bom momento
que atravessa e da vantagem psicológica também de
estar em vantagem.
Dez minutos foi o tempo que foi preciso para Pacheco alterar
algo que pudesse trazer algo mais à posse de bola. A
correcção Diakité, entrando Pinheiro para
central, e a habitual passagem de Fleurival para o lugar de Rissut,
para colocar gente na frente, Fary. Hussain compensaria o
possível na linha média, ajudando o necessitado
Loureiro. 6 minutos volvidos, foi este último, com o
jogo repartido apesar da procura do Boavista por terrenos mais
subidos, a cometer penalty e a sentenciar quase de forma
irredutível o resultado do jogo, também pela sua
expulsão. E Pittbull não perdoa. A toada, apesar de
cada vez com menos fôlego, mantêve-se, tendo o Boavista
criado a sua melhor situação, e ainda em tempo de
re-entrar no jogo, por Mateus, após uma excelente abertura
de... Fary. Neste periodo e até final, ainda Jorge Ribeiro
foi o que mais tentou desequilibrar com dois remates de fora da
área, ambos perigosos. Hoje, sem bolas paradas para
beneficiar.
O Setúbal foi e é mais forte e justificou. As
contrariedades, mesmo antes do desafio, ora pelos impedimentos de
Moisés e Laionel, ora pela falta de soluções,
ora pelo cansaço (por exemplo, dos angolanos, que deram a
volta ao mundo numa semana!) foram em demasia. Conciliando com os
erros individuais e colectivos cometidos e com o adversário,
nada a fazer. Nem tudo foi mau.
Individualmente,
Jehle não tem culpa nos golos. Ao que foi chamado,
fê-lo de forma positiva, sendo mesmo, a par de Angulo, o
melhor da defesa.
Marcelão é o principal culpado no lance do
primeiro golo. Azarado na tentatica de alívio, mal a
fazer-se ao lance com Gama. Diakité não dá
mesmo para central. Quanto mais não seja, pela falta de
confiança que denota; parece ficar perto do pânico
quando a bola se aproxima. Mesmo pelo ar, naquele lance que quase
enteciparia o penalty de Pitbull.
Rissut, foi o mais comedido. E quando a ter que sacrificar um
lateral, é o elo mais fraco. Por um lado ainda bem, sinal
que Angulo é bom, e porque Fleurival ancaixa bem a defesa
direito de emergência, provavelmente melhor que no lado
oposto.
Loureiro hoje teve um problema extra acrescido. Cedo se viu
baralhado no posicionamento e marcação, dado o meio
campo adversário e a presença perto dos
avançados setubalenses. A acrescer a isso, não sei se
sequência, os habituais 50 minutos de boa
duração do trinco, duraram... 25. Quase a par dele,
se bem que ligeiramente superior mesmo na primeira parte, esteve
Fleurival. Não começou bem, foi melhorando com o
tempo.
Ribeiro de novo o maior desequilibrador. Tentou bisar por
três vezes com perigo, duas delas remates dora da
área.
Hussain surpreendeu-me pelo voluntarismo e rigor táctico.
Deambolou durante o jogo, ora pelo estilo, ora pela obrigatoriedade
depois da expulsão de Loureiro. Correu, defendeu, tentou
lançar a atacar.
Mateus e Kalanga, esforçados. Mateus numa missão
espinhosa, Kalanga a ser mesmo o mais perigoso, obrigando
até a uma correcção na equipa
adversária. Este último por vezes individualista
demais e a contribuir, mais que qualquer outro, para o excesso de
flanquemanto da equipa, evitando assim poder sequer explorar os
espaços no meio campo vitoriano.
Fary, apesar do esforço e vontade, é claramente
pouco no que toca a opções.
Pinheiro, à semelhança do jogo do restelo, entrou
bem. Dá ideia de estar com mais confiança e mais
concentrado. Mereceu, à posterior, a
titularidade.
Quanto ao árbitro, o benefício da dúvida
é dado tanto no lance de Diakité como de Loureiro.
Tinha argumentos para assinalar a penalidade no primeiro,
não os tinha no segundo. Mas não foi por
aí.